Quando se constrói algo de raiz, com as mãos, com o tempo roubado ao descanso e à família, com dinheiro que tantas vezes fez falta noutros lados, com a pele exposta, não se está apenas a criar uma estrutura. Está a criar-se sentido, uma missão.
A ESTAR não nasceu de um gabinete, nem de uma herança institucional.
Nasceu de uma decisão, de uma inquietação que não nos deixava em paz.
E esse tipo de origem tem uma força que não se aprende, mas também uma vulnerabilidade: não tem escudos formais, nem tradições que a protejam.
Tem apenas verdade. E trabalho. E transparência e não aceitamos lições de ninguém sobre nenhum desses temas.
E a verdade, quando é visível, mexe com quem está habituado a outros ritmos, outras lógicas, outros lugares de conforto.
Fazemos muito com pouco, e fazemo-lo sem ruído, sem atropelar, sem disputar território. Mas, ainda assim há desconforto.
Não procuramos importância ou relevância, tanto que a maior parte do que fazemos não está à vista de ninguém.
E há ainda um risco grande quando se trabalha tanto pelo bem: começar a carregar também o peso do que não é nosso, apesar de não precisarmos de carregar isso, mas esse sentir é talvez das únicas coisas mais fortes do que nós.
Começámos duas, agora somos doze. Uma equipa de excelência escolhida minuciosamente. Num território esquecido, onde muitas vezes o que falta não é só resposta, é união. Mas estamos aqui sempre. Consistentemente. Isso não se simula. Principalmente porque sabemos bem quem precisa de nós.
Acrescentamos ainda que estruturas grandes têm história e nós estamos a construir a nossa sem passar por cima de ninguém nem a ocupar um lugar antes ocupado porque o que fazemos ninguém fazia, senão não era tão desafiante e desafiador, e que faz tanta diferença.
Estamos à porta do 7.o aniversário.
E a emoção está à flor da pele e isso é tão bom.

